terça-feira, 30 de abril de 2019

Um grito de socorro

40 à 60% das pessoas que cometeram suicídio buscaram ajuda médica 1 mês antes do ato. Porém, o grande problema gira em torno do preconceito, pois buscaram ajuda de um clinico geral e não de um psiquiatra, conforme dados da OMS (Organização Mundial de Saúde).
O suicídio em si não é uma doença, nem necessariamente a manifestação de uma doença, mas transtornos mentais constituem-se em um importante fator associado com o suicídio.
Um fator a se observar está ligado aos riscos:
Estima-se que o risco de suicídio ao longo da vida em pessoas com transtornos do humor (principalmente depressão) é de 6 a 15%; com alcoolismo, de 7 a 15%; e com esquizofrenia, de 4 a 10%.
Vale ressaltar que o suicídio é um fator de risco significativo na depressão não reconhecida e não tratada. Estima-se que 30% dos pacientes que consultam um médico tenham algum tipo de depressão, onde 60% destes procuram um clínico geral ao invés de um psiquiatra.

Em episódios depressivos típicos, o indivíduo normalmente sofre de:
  • humor deprimido (tristeza)
  • perda de interesse a prazer
  • redução na energia (fatigabilidade e diminuição das atividades)
Dados epidemiológicos sugerem que os antidepressivos reduzem o risco de suicídio entre os deprimidos

Nunca interrompa um tratamento medicamentoso com antidepressivos por conta própria, pois o risco do surgimento de pensamentos suicidas é enorme. Isso se dá devido a um desbalanceamento na produção dos hormônios responsáveis pelas sinapses neuronais. Por tanto, um fator físico e tratável, se não estiver sendo tratado adequadamente, poderá ser um fator de risco para a efetivação de um ato impensado e sem retorno.

A escuta com empatia é, em si, o passo mais importante na redução do nível do desespero suicida.

O suicídio normalmente está ligado a uma tríade de desesperança, desamparo e desespero.

Na ausência de doença psiquiátrica ou ideação suicida severas, o médico pode iniciar e providenciar tratamento farmacológico, geralmente com antidepressivos e terapia.

As informações acima foram extraídas do SUICIDEPREV, documento elaborado pela OMS. O documento na integra poderá ser acessado aqui.


quarta-feira, 24 de abril de 2019

Como é a depressão?

Do ponto de vista neurológico, a depressão é um sentimento constante de tristeza causado pelo desequilíbrio das quantidades de hormônios como a serotonina, dopamina e noradrenalina, causando falhas na sinapse dos neurotransmissores.

Isso nos faz pensar, de onde vem e como é gerado este desequilíbrio?
Esse desequilíbrio pode ser proveniente de uma falha física na produção destes hormônios, ou pode ser desencadeado por um gatilho, como angustia ou dificuldade em lidar com alguma situação de perda.

Podemos experimentar momentos de tristeza ou estado depressivo, que não é considerado depressão especificamente. A tristeza é de certa forma o que nos move, nos ajuda a lidar com os problemas, de forma a que possamos formulá-los, vivenciando uma tristeza momentânea que com o tempo é trabalhada e transformada. Nesse quadro, conseguimos superar nossos problemas, dificuldades e perdas inerentes ao processo da vida!

Já a depressão é um sentimento de tristeza tão profunda que nos paralisa! Fazendo com que percamos toda a vontade de enfrentar uma dificuldade. Simplesmente desistimos de lutar, podendo sentir uma enorme ansiedade, medo, desregulação do sono, perda de prazer, perda de libido, perda até mesmo da vontade de viver.

É quando tudo se tem e nada se tem ao mesmo tempo! É um sentimento que muitas vezes não identificamos alguma origem, simplesmente ele está lá e nos domina com um sentimento de incapacidade e inutilidade.

É muito importante entender que mesmo que você não possa compreender o que sente uma pessoa quando está em depressão; não significa que ela não exista. 

O profissional capacitado para diagnosticar e medicar o paciente deprimido é o Psiquiatra. Muitas vezes o uso de medicamentos que controlam e regulam a produção dos hormônios envolvidos nas sinapses se demonstram suficientes para garantir melhor qualidade de vida ao paciente.

E onde está o papel da Psicanalise nessa história? A Psicanálise é a ciência do autoconhecimento, onde buscamos a compreensão do eu, através da fala, do diálogo com o seu inconsciente, onde o terapeuta atua como uma lanterna, apontando os cantos da mente escuros para nós no campo do pensamento consciente. Para o caso da depressão, a psicanálise é uma importante ferramenta de compreensão e entendimento, não devendo ser tratada como substituta da conduta psiquiátrica medicamentosa. Na realidade, para quadros de depressão a psicanálise é complementar ao tratamento psiquiátrico.

Hoje a taxa de afastamento de profissionais do trabalho por conta de depressão é de mais de 18%, sendo que a organização mundial de saúde estima que até 2020 será o maior fator de afastamento.

Devemos tratar a depressão com menos preconceito e maior entendimento, pois o tabu a respeito da depressão existe devido à falta de conhecimento.

Agende uma consulta (019) 98247-0462 - Eduardo Psicanalista


quarta-feira, 10 de abril de 2019

Suicídio

Para a Psicanálise o suicídio é um ato. E como todo ato, representa a expressão do que não foi dito!

Só se pode chamar suicida a pessoa que cometeu o ato, ou seja, nenhum suicida está vivo. Atualmente as pessoas que tentaram contra sua própria vida são consideradas tentantes. Parece apenas uma mudança de "rótulo", mas na verdade apresenta uma verdade quase que absoluta dentro da definição linguística e social.

O suicida não tem como seguir em frente, não tem como continuar sua existência. O tentante, assim como qualquer pessoa que passou por um momento de estresse na vida (depressão, acidente, câncer, etc...) vê a chance de continuar sua existência e ser feliz!

Vamos partir do pré-suposto que todo ser humano tem o direito e a capacidade de ser feliz. Bem como, todo ser humano tem o direito de escolha. A vida é um direito de escolha, por tanto, devemos respeitar as escolhas de cada um.

O que quero dizer com isso? Quero dizer que devemos respeitar as escolhas dos outros, assim como desejamos que nossas escolhas sejam respeitadas. Pode ser que para você e para mim, a vida seja algo precioso e que quem não enxerga isso está errado. Porém, cabe a mim e a você respeitar, ouvir e entender de fato o que faz com que alguém deseje atentar contra sua própria vida.

O mais importante é entender os motivos que levam uma pessoa (e quando digo uma pessoa, estou me referindo a um indivíduo específico e não de forma geral) a tentar contra sua própria vida. Cada indivíduo é único, viveu experiências únicas, tem sentimentos únicos e interpreta sua vida de maneira única. Essa é a mágica, a maravilha da mente humana. Não existe repetição, nem padronização!

Sabendo disso, devemos imaginar que o copinho de angustia de alguém que atenta contra sua vida, está cheio e aquela gota d'água que cai a mais acaba fazendo com que seja insustentável manter essa água dentro do copo. O volume do copinho é bem diferente de pessoa para pessoa.

Em um momento que tanto falamos em minorias, em respeito às diferenças e na aceitação do eu, devemos compreender que a necessidade de pertencimento do ser humano é nata e por tanto, devemos buscar este pertencimento e fazer com que outros possam também pertencer. Os celulares e vidas digitais cada vez mais nos trazem uma virtual sensação de pertencimento, enquanto a vida carnal fica a espera de acolhimento.

O tentante é uma pessoa normal, comum, que teve o seu copinho cheio e a ponto de transbordar. Devemos pensar: -O que estamos fazendo para esvaziar o copinho do outro?
Para fazer isso devemos simplesmente ouvir! Ouvir de coração, sem conselhos, julgamentos e comparações. Apenas ouvir o outro com empatia, como ensinou o psicólogo Carl Rogers.

Se você precisa de apoio, de alguém que possa te escutar, ligue ou entre em contato via chat com os amigos da vida de Campinas.  https://sociedadeamigosdavida.org.br/


Se quiser agendar uma consulta, mande uma mensagem ou entre em contato comigo através do número:
019 98247-0462
Eduardo Psicanalista

terça-feira, 26 de março de 2019

Terapia é coisa de louco?

Costumo brincar com esse pensamento transloucado e preconceituoso a respeito das terapias da mente.
Existe um certo preconceito, fazendo com que muitas pessoas tenham receio até mesmo de buscar o autoconhecimento através da terapia, onde acredita-se que quem faz terapia tem algum problema psiquiátrico. É importante frisar que distúrbios psiquiátricos são tratados por um médico psiquiatra, que conta com mais de 8 anos de estudos em sua formação básica, sem contar os inúmeros cursos de formação específica e estudos pessoais que estes profissionais realizam normalmente. (Pretendo escrever a respeito do preconceito referente aos distúrbios psiquiátricos em outro tópico)

A psicanálise é a terapia através da fala. Quando falamos em terapia devemos lembrar que não existem pacientes nem médicos envolvidos no processo e por tanto, não estamos falando de algo a ser curado. A terapia consiste em um tratamento realizado através de sessões de "fala", onde o terapeuta atua como guia para que o indivíduo possa acessar seu inconsciente e assim compreender melhor a formação de sua psique. Como exemplo, poderemos sitar a pessoa que tem compulsão por comprar carros, sempre melhores, mais caros e mais bonitos, compensando uma frustração da infância onde não teve a sonhada bicicleta vermelha de rodas cromadas. Ainda dentro deste exemplo, podemos dizer que o conhecimento do desejo (ou trauma) inicial que desencadeou um comportamento repetitivo em sua vida, poderá ser compreendido e racionalizado através da compreensão do mesmo. Cabe ao terapeuta identificar tais comportamentos e apresentar uma luz no quarto escuro da mente a fim de auxiliar o indivíduo que veio em busca de auto-conhecimento.

Terapia Psicanalítica é um processo de auto-conhecimento, de auto-análise, de compreensão de sua própria psique e por tanto pode ser realizada com o intuito de se conhecer melhor, seja para compreensão e resolução de traumas passados, comportamentos que o indivíduo julga problemático no presente, ou para evolução como ser humano.

O que quero dizer é que não precisamos estar doente para fazer Psicanálise. Muitas pessoas conceitualmente saudáveis fazem Psicanálise com frequência em busca de melhoria interior, evolução. Poderia dizer até que a Psicanálise trás qualidade de vida e paz, tanto quando fazer parte de uma religião ou filosofias de vida meditativa, práticas esportivas e etc...

Não que uma atividade possa substituir outra, mas devemos pensar na Psicanálise como algo complementar às nossas vidas, algo a acrescentar em nossa trilha de evolução enquanto seres humanos.   


terça-feira, 19 de março de 2019

O que é psicanálise?

Criada por Sigmund Freud, médico neurologista austríaco, descobriu que a causa de transtornos psíquicos tinham causas psicológicas e não orgânicas, como se acreditava até a confirmação de suas descobertas. Como toda inovação, Freud enfrentou muita rejeição de suas teorias junto à classe médica.
Assim nasceu a "Talking cure" (traduzindo livre: Cura pela fala), onde foi possível observar melhoras significativas em pacientes utilizando apenas a conversa e acesso ao subconsciente.

A psicanálise consiste em uma terapia onde o paciente tem a oportunidade de acessar seu inconsciente, favorecendo a compreensão de seus padrões de vida e seus desejos mais íntimos, promovendo assim uma melhoria em sua qualidade de vida através do autoconsciente. A função do terapeuta é apenas a de iluminar o quarto escuro da mente humana para que o paciente possa encontrar mais facilmente as chaves para se libertar de suas prisões emocionais.

Freud fundamentou sua teoria dividindo a psique humana em 3 parte, sendo elas:

Inconsciente

Área de nossa psique onde os pensamentos são livre, não temos controle sobre essa área. É aqui que nascem e se desenvolvem os desejos; íntimos e incontroláveis.

Consciente

Área da organização do pensamento, onde racionalizamos, avaliamos e tomamos decisões.

Subconsciente

Podemos considerar o subconsciente como sendo a interface entra o inconsciente e o consciente. É neste área de nossa psique que realizamos a negociação entre nossos desejos e a racionalização.


Um grito de socorro

40 à 60% das pessoas que cometeram suicídio buscaram ajuda médica 1 mês antes do ato. Porém, o grande problema gira em torno do preconcei...